Cláudio Lima

 
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Cláudio Lima


 

Cláudio Lima é pseudónimo de Manuel da Silva Alves, natural de Calvelo, Ponte de Lima, onde nasceu a 6 de abril de 1943. Estudou nos Seminários Franciscanos, onde obteve o curso de Filosofia. Em 1967 foi mobilizado como alferes miliciano para a guerra do Ultramar (Norte de Angola) onde se manteve até 1969. Serviu a Caixa Geral de Depósitos em Portugal e no Brasil, da qual se encontra aposentado. Casado, dois filhos, radicado em Braga.

Iniciou-se muito jovem nas lides da escrita, colaborando em revistas escolares e suplementos juvenis, entre eles o do Diário de Lisboa, que acolheu as primícias de muitos escritores então revelados. Tem significativa e variada colaboração dispersa por jornais e revistas de Portugal, Angola, Brasil e Galiza, nas modalidades de poesia, conto, crónica, crítica literária e social, ensaio, diarística, etc.

Está representado em mais de trinta obras colectivas, das quais destaca, nos últimos anos: 100 Poemas para Albano Martins (Fafe, 2012), Cintilações da Sombra (Id. 2013), Vozes Confluentes (Braga, 2013), Doce Inimiga – Solidariedade com a Colômbia (Fafe, 2013), O Amor em Visita (Poesia, Porto, 2013), Cintilações da Sombra 2 (Fafe, 2014), Abril – 40 anos (APE – Lisboa, 2014), Um Extenso Continente – Homenagem a António Salvado (Castelo Branco, 2014), Cintilações da Sombra III (Fafe, 2015) e O País Invisível – Antologia de Contos (Centro Mário Cláudio, Paredes de Coura, 2016). Tem merecido da crítica especializada referências muito positivas. Prémio Nacional de Poesia “Fernão de Magalhães Gonçalves” 2008, entre outros.

Foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural pelo Município de Ponte de Lima.

É Sócio da APE - Associação Portuguesa de Escritores.

 

Bibliografia


1 – A Foz das Palavras

Poesia – 1970
2.ª ed. 2009.
Primeiro trabalho em livro. Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves / 2008. Capa da 2.ª ed. de autoria de Espiga Pinto. Opiniões críticas muito positivas de, entre outros, Fernão de Magalhães Gonçalves, Couto Viana, José Cândido Martins, Júlia Serra. Tratando-se da poesia dos meus verdes anos, ainda hoje a leio com emoção e prazer.
“Cláudio Lima é o nome de um jovem poeta que, a partir de hoje, devemos fixar. Digo a partir de hoje porque acaba justamente de ser publicado o seu primeiro livro – “A Foz das Palavras”. Fernão de Magalhães Gonçalves, no Suplemento Quinta Feira à Tarde /Diário Popular de 30.04.70.


2 – Por aqui não é passagem

Contos – 1993.
Reúne treze contos explorando o Minho profundo, com ilustrações de Armanda Andrade (filha de João Marcos). Livro saído na ed. Escritor – Lisboa. Comentários em rodapé de Fernão de Magalhães Gonçalves. Críticas, entre outras, de Filomena Cabral, Júlio Conrado, Ramiro Teixeira, Miguel Serrano, João Marcos.
“Tivesse este livro sido publicado por uma dita grande editora, teria tido mais divulgação (…) ou, pelo contrário, podendo representar uma ameaça ainda que caseira para outros escritores, quem sabe se mais débeis mas de parangonas garantidas, seria, possivelmente, “silenciado.” – Filomena Cabral – Notícias Magazine de 2.5.93


3 – Itinerarium

Poesia – 1994.
Capa original de mestre Cargaleiro. Aqui procuro aprofundar o fenómeno poético como espaço de inquietação e catarse. Alguns nomes que sobre ele se pronunciaram na imprensa: F. Pires Lopes, Manuel António Pina, Luís Dantas, Carlos Gomes.
“Itinerarium reúne três dezenas de poemas de notável identidade formal: expressão austera e inquieta e ácida consciência da precária condição da poesia e dos limites da palavra perante a sua vocação essencial.” – Manuel António Pina – Jornal de Notícias de 10.01.95.


4 – Itinerarium II

Poesia – 1998.
Continuo o exercício poético-reflexivo sobre a palavra essencial na sua relação íntima com o ser e o existir; da palavra capaz de abrir clareiras de luz e harmonia no coração do caos. Pronunciaram-se Barroso da Fonte, F. Pires Lopes, Carlos Gomes.
“Uma poesia que se lê com grande emoção.” – Barroso da Fonte – Poetas & Trovadores – Janeiro de 1999;
“Burilando a palavra como o ourives minhoto constrói a filigrana, Cláudio Lima procura através da sua interiorização a essência da vida, dos sentimentos e da própria existência.” – Carlos Gomes – Jornal da Amadora de 18.3.99.


5 – Maçã pra Dois

Poesia – 2001.
Capa original de Espiga Pinto. Poesia erótica, sem, no entanto, descer a níveis de mau gosto ou mórbidas ousadias. Vários e competentes depoimentos surgiram na imprensa: Fernando Venâncio, José Cândido Martins, Vergílio Alberto Vieira, Nuno de Figueiredo, Fernando Aldeia, etc.
“Estamos diante de uma criação poética madura, revelando apurado gosto estético. Textos que ora flúem estrutural e estroficamente livres, ora adoptam a forma fixa do soneto. Verso melodioso, mesmo quando prescinde da rima, mas não da cadência e do jogo verbal e fonético. Expressão profusamente metafórica, valorizando os campos semânticos da navegação e dos fluidos, dos sabores e dos cheiros, da descoberta táctil do corpo e das suas sensações.” – José Cândido Martins – O Anunciador das Feiras Novas – 2002.


6 – Vate do Reino

Poesia – 2003.
Incursão poética pela nossa realidade como povo histórico, ora adormecido num imobilismo fatalista, ora impulsionado pelo estímulo da superação. Na minha ótica de autor, sempre discutível, o meu melhor livro de poesia. Sobre ele escreveram João Marcos, Carlos Gomes, Fernando Aldeia, José Oliveira.
“O poeta, embora viajando nas ondas da epopeia, também soube regressar à paisagem da sua terra, calcorreando a lusa pátria, estabelecendo um transitar livre de ida e volta nos caminhos da memória.” Fernando Aldeia – Vozes Confluentes – 2013.


7 – Arte de Amar Ponte de Lima – A Palavra e a Imagem

Poesia e fotografia, com Amândio de Sousa Vieira – 2004.
Reunião dos vários poemas dispersos pela imprensa, sobre a terra limiana, sua beleza, património e cultura. Livro prefaciado por A. M. Couto Viana. Opiniões críticas de Maria de Lourdes Brandão e Carlos Gomes.
“Cláudio Lima escreve com o coração. O acaso fez com que nascesse em Ponte de Lima. É português, nortenho, limiano até à medula, um homem fortemente ligado às suas raízes. O amor profundo que sente pela sua terra transpira neste livro.” Maria de Lourdes Brandão – Diário do Minho – 17.3.2004.


8 – Os Morros de Nóqui

Contos – 2004
2.ª ed. 2009
Contos inspirados na minha experiência militar no norte de Angola, de 1967 a 1969. Tanto da 1.ª como da 2.ª edição vários foram os depoimentos publicados: Couto Viana, João Marcos, Luís Dantas, Fernando Aldeia, Fernando Venâncio, Júlia Serra, René Pélissier, etc.
Sobre a 1.ª edição: “Deixem-me afiançar que as breves estórias, com os títulos “Desertor”, “Madrinha de Guerra” e “O Pesadelo”, se inscrevem no que de melhor literariamente se tem escrito sobre o assunto, enriquecido com uma criatividade ao nível dos recursos linguísticos que me apraz registar.” Artur Coimbra – Correio do Minho – 14.11.2004.
Sobre a 2.ª edição: “Nous ne quitterons pas le Nord-Ouest angolais sans signaler la réédition, augmentée d’une nouvelle, de Os Morros de Nóqui, par un ex-alferes (1967-1969) poste à la frontière zaïroise. Cést un anticolonialiste et, probablement, antimilitarista aussi. (…) L’auteur écrit bien, ce qui n’est pas toujours le cas dans la littérature d’anciens combattants.” René Pélissier – Africana Studia N.º 15, 2010.


9 – Um rio de muitas luzes

Ensaio – 2005.
Trata-se da compilação dos muitos trabalhos anteriormente publicados sobre limianos ilustres e, na generalidade, votados ao esquecimento. Com o apoio do Município, saiu com uma qualidade gráfica muito apreciável e teve bastante procura.
Apreciações várias: José Cândido Martins, Carlos Gomes, Costa Guimarães, Fernando Aldeia, Henrique Barreto Nunes, Pierrette et Gérard Chalendar.
“La terre limienne aura été un espace géographique où s’est forgée une conscience aigüe de l’homme, de la nation et de l’Histoire. Lieu de repli sur soi pour certains auteurs ou d’ouverture sur l’extérieur pour d’autres, il aura été l’une des conditions qui a rendu l’écriture possible pour tous ces hommes de lettres. Et en présentant leur oeuvre dans une langue très claire et dénuée du jargon de type universitaire, Claudio Lima s’inscrit lui-même dans cette lignée.” Pierrette e Gérard Chalendar – Diário do Minho – 30.8.2006 (traduzido).


10 – Itinerarium III

Poesia – 2006.
Regresso a um tema que, sendo universal, me é particularmente pessoal: o aprofundamento da palavra como fonte límpida da expressão do “indizível”, capaz de dar forma e conteúdo ao caos e ao vazio; à angústia e à perplexidade.
Pronunciaram-se Abílio Peixoto, Manuel Trigo, Costa Guimarães, Amândio de Sousa Vieira, Jorge Tinoco.
“A poesia de Cláudio Lima (pseudónimo de Manuel da Silva Alves, um limiano de gema há muito radicado em Braga…) é como água serena de um apaziguado rio que nos seduz de imediato e prestes nos agarra a alma por dentro – não apenas pelo intenso brilho da sua superfície, mas sobretudo pela densa obscuridade que desliza nas profundezas desse caudal poético.” Abílio Peixoto – Cultura / Diário do Minho – 13.12.2006.


11 – Contos Baldios

2007.
Livro que esgotou rapidamente e continua a ser procurado. Muitos escritores e jornalistas o saudaram: Gil do Lago, José Cândido Martins, Carlos Aguiar Gomes, Fernando Aldeia, João Ricardo Lopes, José Abílio Coelho, João Lobo.
“A leitura desta prosa escorreita é uma lufada de ar fresco, sobretudo num tempo de experimentalismos, obscurantismos e outros ismos mais ou menos infecundos e snobs; é saboroso ler esta prosa num tempo de desorientação estética e, sobretudo, de promoção de muito lixo pretensamente literário.” José Cândido Martins – revista Limiana n.º 3 - 2007.
“A prosa é arejada, transbordante de graça, às vezes condimentada nos diálogos com expressões entre o grotesco e o satírico (…), habitualmente dotada de imensa espontaneidade e riqueza sensorial.” João Lobo – Cultura / Diário do Minho – 16.1.2008


12 – Outrora Dezembro

Poesia e prosa – 2007.
Sob este título recolhi vários trabalhos dispersos sobre a temática natalícia. Também já esgotado. Comentários de Júlia Serra, João Ricardo Lopes, Júlia Serra, Artur Coimbra, Amândio de Sousa Vieira.
“A sua sensibilidade enche estas páginas de um mágico encanto, não descurando também a realidade, que nos obriga a sentir este livro como reflexo de uma vida rica, diversificada e humana.” Amândio de Sousa Vieira – Semanário Alto Minho – 14.12.2007.
“Uma belíssima edição que merece a melhor leitura, pelo encanto que emana dos seus poemas, ensaios e contos.” – Artur Coimbra – Correio do Minho – 24.12.2007.


13 – Itinerâncias

Poesia – Itinerarium IV e reedição dos três anteriores.
Vários amigos me aconselharam a esta junção. De facto, consubstanciando uma temática comum de profunda e constante lírica reflexiva – e não tencionando voltar a ela em livro – entendo de considerar oportuna esta edição. Intervenções críticas de João Morales, Álvaro de Oliveira e José Cândido Martins.
“De Cláudio Lima, apenas podemos dizer tratar-se dum Poeta inteiro na sua personalidade essencial, vertical no todo, apontado a um esteticismo do labor, sempre dado ao seu ofício, na constante busca da palavra exacta, do instante exacto, amparado por uma melodia desconhecida que ele oferece ao ritmo do seu ideário poético.” Álvaro de Oliveira – Cultura / Diário do Minho – 28.5.2014.
“Convém salientar que, para além de repetidas notações de ironia, a escrita mantém um fecundo diálogo com a tradição literária e cultural, de forma quase sempre disseminada.” José Cândido Martins – revista Limiana n.º 21 – 2011.


14- Os meus Autores – Letras do Minho

Ensaio / crítica literária – 2011.
Outro livro rapidamente esgotado. Escritos sobre 24 autores minhotos, de berço ou adoção, com exceção dos limianos para os quais reservei outro espaço.
Da imprensa:
“Cláudio Lima não é apenas nome relevante da arte poética portuguesa. É também um excelente prosador e, ainda, um atento crítico literário. (…) Não admira, por isso, que além de ser considerado um poeta de eleição, seja frequentemente solicitado a apresentar obras literárias, quer em comunicações directas, quer através de textos publicados na imprensa.” – Redação – Diário do Minho – 27.5.2011.
“Se observarmos o currículo de Cláudio Lima, ele foi um destes exemplos que nunca permitiu que a pena secasse e a sua veia esmorecesse (…) É vencida a fronteira da leitura e da escrita, com o intuito de transformar o livro num objecto de arte, uma espécie de relicário indispensável em toda a biblioteca minhota.” – Júlia Serra – Diário do Minho – 20.7.2011.

 


15 – João Marcos – Biografia e Bibliografia

2014 – Estudo e antologia.
João Marcos foi e é um insigne escritor e poeta limiano que nos deixou uma obra de muita qualidade. Aqui deixo um resumo do que me foi dado constatar ao longo de anos de leitura e convívio.
Sobre o este trabalho extraio excertos de dois trabalhos subscritos por Porfírio Pereira da Silva e David Rodrigues:
“Cláudio Lima, (,,,) além de uma obra considerável de natureza poética e literária, tem dedicado à temática limiana uma boa parte da sua actividade. (…)” – Porfírio Pereira da Silva – jornal Cardeal Saraiva – 15.5.2014.
“…seara específica que Cláudio Lima semeou e como fruto maduro hoje nos oferece. Devo, porém, anotar que, pela qualidade dos trechos selecionados e pelo rigor crítico dedicado à obra, só se pode ficar com vontade de ler o trabalho literário e de investigação do bio-bibliografado.” – David Rodrigues – revista Limiana n.º 38 – junho de 2014.


16 – Elogios | Elegias

Poesia – 2014
Com prefácio do Prof. Doutor Vítor Aguiar e Silva.
Poemas sobre figuras destacadas de Portugal e do Mundo, nos vários domínios das letras, artes, ciências e religião.
Sobre este livro se pronunciaram José Cândido Martins, David Rodrigues, Porfírio Pereira da Silva, Maria do Sameiro Barroso, António Cândido Franco, etc.
“A poesia de Cláudio Lima assenta em rios profundos, rios esses que com as suas afluentes, também elas profundas, acabam por desaguar no oceâneo, alegoricamente marcado pela universalidade do pensamento.” Porfírio Pereira da Silva – jornal Cardeal Saraiva – 5.2.2015.
“Galeria polifacetada de retratos, registos, que irrompem velozes e propagam reflexões de sombra, lodo e lume, plasmando na Saudade a melancólica alma lusa, assim se me apresenta o último livro Elogios / Elegias do poeta limiano Cláudio Lima, num registo potente e sólido, em versos de grande plasticidade e delicado virtuosismo.” Maria do Sameiro Barroso – As Artes entre as Letras – 12.2.2015.
Nos momentos mais trágicos e enigmáticos deste livro, nos seus segmentos mais sérios e obscuros, na sua escuta atenta do mito, a arte poética de Cláudio Lima toca assim um saber raro, sublime e iniciático.” António Cândido Franco – revista Limiana n.º 41- janeiro 2015.
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17 – Luzes de muito brilho – Figuras e Temas Limianos

Ensaio – 2016.
Mais uma série de pequenos textos de ensaio ou intervenção, proferidos e / ou publicados em vários momentos e afetos a várias celebrações, tendo por nexo estrutural o simples facto de abordarem temáticas limianas.
Como configuram uma sequência dos trabalhos coligidos em Um rio de muitas luzes (2005), confiro-lhe também agora um título de feição sequencial: Luzes de muito brilho. Título que, se não pelos intrínsecos méritos de quem aviva tais luzes, tem perfeito cabimento quando nos reportamos a personalidades que em Ponte de Lima – e por extensão na nossa Ribeira-Lima – rebrilham em artes e saberes, numa constelação que, se nos é motivo de orgulho, também nos é herança responsabilizante.


18 – Três Cadernos

 Poesia – 2017.
Nesta coletânea, o poeta reúne 58 belíssimos poemas, que reparte por três capítulos: «Enquanto Espero», «As Casas» e «D’Amor».
O tempo é a principal temática do primeiro capítulo. Tempo que, como veio subtil, percorre também outros poemas deste livro. Um tempo de espera, que o poeta vai preenchendo, escrevendo, sobre as condições de ser e existir, sua e dos outros.
Nos poemas de «As Casas», o poeta compraz-se e compraz-nos, por um lado, em poeticamente cantar, ora espaços interiores, domésticos e familiares, que viu, onde viveu e conviveu; ora espaços exteriores, paisagens humanizadas e naturais, em cenários cada vez menos humanizados ou mais desumanizados.
No capítulo terceiro, o poeta oferece-nos poemas de amor.  São os encantos e/ou desencantos pela pessoa amada, amante ou amável que o poeta, cantando, evoca e/ou invoca.
David F. Rodrigues
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19 – Rúben Brandão – Quadras e Outras Poesias

2017 – Estudo e antologia.
Primeiro livro que reúne parte da obra poética de Rúben Brandão, editado pelo Município de Ponte de Lima, com selecção, prefácio e notas de Cláudio Lima, que considera esta recolha antológica como contributo para que o seu nome não caia num definitivo e injusto esquecimento.
Na primeira parte do livro, é apresentada uma selecção das largas centenas, se não milhares de quadras (ao gosto popular) que este poeta limiano nos deixou, organizada por conjuntos temáticos, atendendo, prioritariamente, à índole e substância aforística que as enriquece.
Na segunda parte, são apresentadas outras diferentes poesias escritas em vários formatos e explorando diversas temáticas, com recurso frequente ao soneto e a vários outros registos métricos, incluindo a redondilha maior, pela qual Rúben Brandão tinha especial predilecção.
Para saber mais sobre Rúben Bandão clique  AQUI


20 – Eu sempre guardei rebanhos

Poesia – 2019
Tivéssemos nós um jornal ou publicação para escrever livremente, sem condicionantes, e hoje estaríamos a divagar, sem explicar (tendo em conta que a poesia não se explica), sobre as eternas melodias deste extraordinário POETA português (não regional) que sempre soube guardar rebanhos, por ser um pastor por inteiro: «…Imperativo de mim / Muito mais que de Caeiro…» (p. 7). Vindo do povo, diz-se do povo, enquanto sina dos verdadeiros Poetas, bebendo da “memória-identidade”, mesmo quando filho pródigo, «…Nenhum pão lhe soube bem em terra alheia…» (p. 17). Por este “guardador de rebanhos” correm melodias do sino da aldeia; cheiro a terra e a rosmaninho, que são seu timbre e pergaminho; exuberância dos campos que o enternece; almas que digerem o caldo e o padre-nosso; dores a uma aldeia morta; Terra, escrevendo «terra de dedos conjugados / Qual charrua eficiente / Capaz de abrir nos sulcos menstruados / Uma ânsia profunda de semente…» (p. 28); saudades do campo; encantamentos da terra lavrada; vozes roucas e fatigadas das gaivotas; dúvidas trazidas dos confins da infância; «O ocre, a sépia, o cinza, / Cores ambíguas e frias / Anunciando a menopausa / Das searas…» (p. 46), quais sequências do outono, etc., etc… – complexo lexical em que devíamos, de contínuo, ter usado aspas, visto que extraído dos textos.
Porfírio Silva
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21 – Contos d’Aqui e d’Agora

2020
A exigente arte do conto conhece na escrita de Cláudio Lima um cultor amadurecido e exemplar. Culminando uma obra literária que completa agora 50 anos de publicações (iniciada em 1970, com A Foz das Palavras), o mais recente livro de contos deste autor – Contos d’Aqui e d’Agora – apresenta um notável conjunto de qualidades, merecedoras da mais sentida admiração do leitor.
Estes Contos d’Aqui e d’Agora surgem-nos ancorados na viva e palpitante realidade quotidiana. Longe de visões idílicas da vida no campo ou de um Minho idealizado – já denunciadas jocosa e certeiramente por Camilo Castelo Branco (introdução à novela “O Comendador”, de Novelas do Minho) –, estes contos tematizam realidades tão diversas como a velhice e a vivência num lar de idosos; a doença da piromania; o mundo-cão do futebol amador; os excessos da ignorância e da beatice; o aliciamento à prostituição e as casas de passe; a desertificação e morte das aldeias do interior; o submundo dos arrumadores de carros; as paróquias perdidas na serra – entre outros motivos bem contemporâneos.
Em quase todos estes contos, celebra-se a vida nas mais diversas situações, a luta pela existência diária, com maior ou menor dignidade, por vezes até numa certa pulsão vitalista, ocasionalmente erótica.
José Cândido de Oliveira Martins – Prefácio do livro (excertos)


Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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