António Ferreira

António Ferreira


 

 

 

PONTE DE LIMA

 

É nova pelo aspecto sorridente

De todo o seu conjunto singular

E velha no dizer de toda a gente

Pela sua existência secular.

 

É nova porque lembra no presente

Um lindo ramalhete a despertar

E velha no passado auriluzente

Que enriquece um arquivo modelar!

 

Oh! esta minha terra é afinal

Velha na idade e nova na figura

Que eu estou a gravar no coração.

 

Ela tem por contraste um ideal:

É tão nova p’la sua formusura

Como velha p’la sua tradição!

 

In: Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, 1950

 

 

 

A PONTE (excerto)

 

Um monumento! Uma das mais formosas

Canções de pedra que há em Portugal,

O granito das eras gloriosas…

Numa revivescência nacional.

 

Trinta arcos… alguns de volta plena

Duma ponte romana primitiva

Que o seu passado mais remoto encena,

Sendo todos os outros em ogiva.

 

E sobre um deles góticos sinais,

De secular cadeia unindo os elos,

Anotam um escudo: – Armas reais

De Portugal com dezasseis castelos.

 

Assim, os idos tempos memorando,

Edita a pedra citações históricas,

A obra de Dom Pedro assinalando

Entre duas figuras alegóricas.

 

Ao meio dela, as águas vêm dizendo,

Ergue-se num mainel a cruz tranquila,

No seu tronco divino suspendendo

O brasão simbolístico da Vila.

 

E quase ao fim, no templo luzidio

Da Torre Velha, o santo taumaturgo

Benze o noivado dela com o rio

Que o nome dá ao limiano burgo.

 

Vetusta ponte! Grito do passado

Que o coração da raça eleva e exorta…

Como velha trombeta em som magoado

Entoa os hinos da grandeza morta.

 

In: LIMIANAS

 

 

 

A VILA (III)

 

Vila heróica! Leal aos juramentos,

Zelaste sempre o nome do país,

Defendeste na era de Trezentos

O caro Dom João, Mestre de Avis!

 

Nas caravelas dos descobrimentos

Os teus filhos de peitos varonis

Chegaram ao Japão, em cursos lentos

Pelas ondas inóspitas e hostis!

 

Por isso em ti a pátria mais cintila!

A ponte e o rio numa eterna boda

Deram timbre ao escudo aventureiro

 

Das tuas gerações… e, assim, ó Vila,

Tu palpitaste com a raça toda

Como se fosses Portugal Inteiro!

 

In: LIMIANAS

 

 

 

MONTE DA MADALENA (excerto)

 

Monte da Madalena,

Ermidinha em bucólica devesa

Onde o povo desfruta à vista plena

O fluvial trajecto

Na vastidão da sua correnteza!

Com a capela a branquejar, cimeira,

– Logradouro comum de velha estima

De todos nós retiro predilecto –

És na florida cerca da ribeira

O mirante do Lima.

 

In: LIMIANAS

 

 

Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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