P'ra Que Viva Ponte de Lima! Terra de Tradições

 

P'ra Que Viva Ponte de Lima! Terra de Tradições




José Velho Dantas



Esta obra, de notável interesse etnográfico, precioso documento para o estudo dos nossos usos e particularidades, é fruto de uma laboriosa pesquisa nas publicações periódicas da época, abrangendo um tempo histórico de aproximadamente um século, entre a segunda metade do século XIX e os anos sessenta do século XX.

O interesse de Amândio Sousa Vieira pelas tradições e costumes de Ponte de Lima reflete no fundo a paixão de uma vida. Creio que o fascínio por estas manifestações culturais, tão típicas do nosso património imaterial, foi acompanhando o seu percurso como fotógrafo. O seu vasto arquivo é a melhor prova disso. Um amante anda sempre à procura da coisa amada. Mas um amante também procura compreender a origem e a evolução das coisas. A bela imagem resulta por vezes de um acaso breve e feliz, mas o conhecimento pressupõe uma busca mais demorada. E o Amândio começou a procurar…

Não se pode dizer que este livro nasceu em algum momento particular do passado. Ele foi nascendo, se calhar inconscientemente, cresceu e maturou durante anos e foi só nos tempos mais recentes que atingiu a versão definitiva, fruto de uma laboriosa pesquisa nas publicações periódicas da época, abrangendo um tempo histórico de aproximadamente um século, entre a segunda metade do século XIX e os anos sessenta do século XX, que o autor considera corresponder ao tempo em que as tradições e suas manifestações, por estarem tão umbilicalmente associadas ao viver quotidiano das populações que lhes deram vida, mais se sedimentaram e atingiram uma espontaneidade e um brilho não mais verificado.

Nesta obra, de notável interesse etnográfico, precioso documento para o estudo dos nossos usos e particularidades, o autor vai fazendo desfilar os diversos temas a que consagra o seu livro: o Baile da Espadelada no Porto, em 1892, a Vida no Campo, as Feiras, as Festas e Romarias, Outras Tradições…

Sobre todos estes assuntos há uma abordagem preambular, onde o autor expõe a sua visão mais pessoal. Depois, seguindo o fio do tempo, vai dando voz a outros que, irmanados num espírito de testemunhas dos seus tempos, registaram as nossas fainas e diversões, divulgaram os nossos saberes, descreveram as nossas paisagens e retrataram algumas das nossas personagens mais lídimas e populares. Cronistas, escritores, poetas e historiadores prestam aqui, de forma mais ou menos literária, memoráveis depoimentos que o Amândio Sousa Vieira soube resgatar ao baú abandonado da história para os ressuscitar e fazer incidir sobre eles a merecida luz.

Os registos escritos são sabiamente combinados com os registos iconográficos, como as pinturas, os desenhos, as gravuras, para reforçar e fazer valer a justeza e a veracidade do que é afirmado. E depois há a fotografia, sempre a fotografia. São imagens antiquíssimas, cheias de sabor e informação, para quem souber olhar com a devida atenção. A que se juntam, como era inevitável, as fotografias do autor, eivadas de movimento e colorido, fixando a alegria do momento, onde é possível vislumbrar, por trás da objetiva, uma visão de afetos, regressando ao olhar mais subjetivo de Amândio Sousa Vieira.

Ponte de Lima-Terra de Tradições apresenta-se então simultaneamente como um legado e um tributo: Deixa-nos uma recolha impar das nossas festas e tradições, rendendo homenagem a outros que, ao longo do tempo, com ligações mais próximas ou afastadas a este território, acharam importante revelar o quotidiano festivo das nossas comunidades. É impossível não detetar na leitura destas páginas uma espécie de sentido agradecimento a todos os que para este livro foram convocados, chamados a firmar o seu testemunho.

Mas a homenagem última não deixa de ser às próprias tradições, aos que as promoveram, as prolongaram e ainda hoje pugnam pela sua persistência, nessa grande cadeia inquebrantável que liga o passado ao porvir. Os que cantaram, bailaram, trajaram, tocaram, os que rumaram a festas e romarias, os que as viveram e ainda vivem: são esses cuja alma a fotografia, em momentos certos e inspirados, tantas vezes captou.

 

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Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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