António Corrêa d'Oliveira

 

António Corrêa d'Oliveira


 

Cantigas a Ponte de Lima

 

Curioso poema inédito de 1918 encontrado na reorganização do arquivo da Casa de Bertiandos (em que se têm empenhado Sebastião de Lancastre e João Gomes de Abreu de Lima), gentilmente cedido para divulgação neste Portal Cultural de Ponte de Lima, a propósito das comemorações que assinalaram em Novembro de 2018 a passagem dos 100 anos sobre o fim da Primeira Grande Guerra.

Faz parte de um pequeno caderno manuscrito com versos do Poeta António Corrêa d’Oliveira para uma quermesse de recolha de fundos, feita em Ponte de Lima no final da Primeira Grande Guerra e organizada pela Condessa de Bertiandos, em benefício dos soldados do Corpo Expedicionário Português.

Junto a este poema, deixou a Senhora Condessa de Bertiandos, D. Ana, as seguintes palavras:

“Por motivo de força maior não se realizou a «Festa» em favor dos nossos prisioneiros de guerra para a qual estas lindas quadras foram expressamente compostas.

Triste outono de 1918”

 

 

Rio Lima, porque choras?

Dantes, cantavas! – “Eu ando

A acompanhar, em seu chôro,

Quem acompanhei, cantando –“.

 

Vi preza a Aguia dos Céus,

E o Rei da Serra, o Leão;

Vi soldados portugueses

Sem liberdade e sem pão.

 

Palacio de Bertiandos

Mostra as torres a quem passa

- Ó torres, ao alto, ao alto!

Que sois como a nossa Raça.

 

Dize, tu que vens dos Tempos,

Velho Paço de Lanheses,

Se Portugal, algum dia,

Não será dos Portugueses…

 

– “Quando Portugal morresse,

Disse Deus (e eu tremo, e escuto),

Tinha que apagar o Sol

Para a terra andar de luto! –”

 

Lindo Paço de Calheiros,

Que fazes, lá tão acima?

– “Vejo partir e chegar

As aguas do rio Lima…”

 

Ó Ponte do Lima, ó ponte,

Quem te atravessou primeiro?

– “Foi, d’um lado, um Monge Santo;

D’outro, um Nobre Cavaleiro” –

 

Ó Fonte do Salgueirinho!

Passou um Santo, e bebeu…

Matas as sêdes da Terra,

Fazes a sêde do Céu!

 

Casa da Aurora, onde o Tempo

Fez lindo ninho, a seu gosto;

És da aurora, entre mistérios

De Avé-Maria, ao sol posto.

 

Deus pesou a nossa terra

E foi-lhe ao cimo a balança.

Só penas! O melhor d’ela,

– Oiro de lei, – anda em França!

 

Porque vaes tu, rio Lima,

Devagarinho, a espreitar?

“A ver se voltam da Guerra

Antes que me leve o Mar…”

 

 

António Corrêa d’Oliveira, Poeta e Dramaturgo, nasceu em São Pedro do Sul, em 1879, e faleceu em Belinho (Esposende), em 1960.

Da sua obra poética destacam-se os seguintes livros:

  • Dizeres do Povo
  • Tentações de Sam Frei Gil
  • Verbo Ser e Verbo Amar
  • Elogio da Monarquia
  • Saudade Nossa
  • Redondilhas

 

Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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