Ponte de Lima - Histórias no tempo

 

Ponte de Lima - Histórias no tempo

Sandra Rodrigues

A presença humana na área do atual concelho de Ponte de Lima remonta ao neolítico. Falamos de datas que ultrapassam uma leitura aparentemente óbvia, recuemos então 7 mil anos; 2016 até ao ano de nascimento de Cristo e que na atual conjuntura historiográfica marca o ano zero a partir do qual se medem os anos antes e depois de Cristo, e podemos recuar ainda mais 5 mil anos até ao aparecimento dos primeiros vestígios em Ponte de Lima.

Se mais não disséssemos isto bastaria para percebermos que o território há 7 mil anos atrás tinha condições para a sobrevivência da nossa espécie e que daqui terão ficado algumas estruturas de âmbito funerário conhecidas como dolmens (antas/ mamoas). 

Há 3 mil anos (na Idade do Ferro), as terras férteis propícias à prática da agricultura, o rio Lima e o clima ameno, terão facilitado a sedentarização de comunidades organizadas e é neste enquadramento que surgem os povoados castrejos. Castrejo é o nome dado ao povo que habita nos Castros e, que segundo alguns historiadores, é uma cultura muito específica do noroeste português. Existem tipos diferentes de castros mas por agora apenas fica o apontamento: todas as freguesias tem na sua génese, pelo menos um povoado desta natureza. 

Em 137 a.C. (antes do nascimento de Cristo) Decimus Junius Brutus, o general que comandava as tropas romanas aquando da sua incursão por terras limianas deteve-se junto do rio, aquele que a Lenda chama de Lethes (que viria a declinar em Lima) e que traduzido significa esquecimento. A lenda fala-nos do terror que tinham os que pensavam em atravessar o rio Lima, porque tal como o confirmava o seu nome, iriam perder a memória. Diz-nos também a lenda que o General terá atravessado sem medo, e já na margem oposta terá chamado todos os seus soldados pelo respetivo nome.

É bom lembrar, não havia ponte, foi construída após esta data.

Muitos são os vestígios romanos que encontramos por todo o concelho, desde villae, a marcos miliários, a pontes a fragmentos de louça da sua vida quotidiana.

A forte rede viária que os romanos construíram permanece durante o período histórico seguinte.

 Por agora vamos ficar neste caminho e viajar apenas pela história antiga.

 Vamos descobrir insculturas rupestres e monumentos megalíticos.

 Penedo do Cavalinho

Inscultura Rupestre - Freguesia de Arcozelo

 Classificado em 1982 como "Imóvel de Interesse Público", o "Penedo de granito insculturado conhecido por Pedra do Cavalinho", localiza-se a sensivelmente cinco metros do muro de suporte do adro da capela de Santo Ovídio, no monte do mesmo nome.
Estamos, assim, em presença de uma gravura rupestre de motivo zoomórfico, constituída por um equídeo isolado, inserto na tipologia do grupo I, conhecido por Antigo ou Clássico, certamente por ser o que perdurou mais tempo e caracterizar de modo mais afirmativo a denominada "Arte do Noroeste Peninsular", que encerrará as especificidades geralmente atribuídas às gravuras "Galego-atlânticas", com uma distribuição geográfica predominantemente costeira. Embora os motivos prevalecentes neste grupo sejam os círculos simples e, sobretudo, concêntricos, surgem de igual modo elementos tão diversificados quanto meandros, linhas retas e curvas e, ainda, zoomorfos, como no caso do equídeo presente no penedo em análise.

 Cronologicamente enquadrado entre o Calcolítico e a Idade do Bronze, o petróglifo representa de modo esquemático um cavalo e um cavaleiro, provavelmente obtidos com um percutor de pedra ou com metal. [A.Martins]. In Direção Geral do Património Cultural”

Pratinhos de Nossa Senhora

Inscultura Rupestre - Freguesia de Rebordões, Santa Maria

 Inscultura com vários círculos e covinhas, com localização no sopé do monte onde está a capela de Nossa Senhora da Boa Nova. Diz a lenda que a Nossa Senhora terá colocado os pratos a secar nesta fraga e que as marcas dos pratos terão ficado visíveis até hoje, daí o nome que lhes foi atribuído.

São motivos geométricos (petróglifos- círculos) essencialmente que se estendem por todo o penedo.

 

Megalitismo

 Quando falamos de Megalitismo referimo-nos a um fenómeno cultural, expresso sobre a forma de monumentos em pedra e que se expandiu por várias épocas históricas.

Etimologicamente Megalítico tem a sua origem no grego megas, que significa grandes e em lithospedras, isto é, grandes pedras.

Os sepulcros constituídos por grandes blocos de pedra grosseiramente trabalhados, tinham um fim essencialmente religioso. Neles eram enterrados algumas pessoas de uma determinada comunidade, não era por isso um enterramento vulgar para um comum mortal.

Cronologicamente a construção abrange o Neolítico, isto é o IVº milénio a . C., e vai até ao Bronze Inicial (IIº milénio) altura em que começam a ser mais frequentes as inumações individuais. Podemos então concluir que para além de ser um fenómeno cultural destinado a um grupo de pessoas de uma comunidade, permaneceu durante várias épocas e sobre determinadas formas.

De facto o quotidiano destas populações é mais incógnito que a sua crença religiosa. Basta analisarmos as suas habitações perenes e compara-las com os túmulos megalíticos, para depressa nos apercebermos que teriam uma relação com o divino bastante profunda.

Tipologicamente existem diferentes tipos de tumulus; uns com a estrutura pétrea, e que podem ter enterramentos coletivos (dólmen ou antas) ou individuais (cistas), outras sem ela (como exemplo a Mamoa 1 de Faldejães). Os que possuem dólmen podem ainda ser diferentes na forma, caso tenham corredor ou não, ou ainda se forem de álea aberta, isto é com um corredor contíguo à câmara, sem que esta tenha qualquer simulação de fecho.

Para concluir o Megalitismo é uma expressão cultural, manifestada por construções pétreas variadas, destinadas a enterramentos coletivos de determinados indivíduos e que eram cobertas com pedras de médio porte- carapaça e com terra, que lhes dava a forma de uma elevação circular. Estas construções que terminam como montes de terra poderão ser do IVº até ao IIº milénio a.C..

 Importante: Se tem uma mamoa no seu terreno, antes de a destruir, lembre-se: foi a última morada de alguém, a sua sepultura.

 Construção hipotética de uma mamoa

 

Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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