José Gomes de Sousa

 

José Gomes de Sousa


Monsenhor, Pároco de Ponte de Lima e de Arca

 

 

Distinguido com a Medalha Mérito Municipal Grau Prata atribuída pela Câmara Municipal de Ponte de Lima, em Reunião Ordinária de 28 de Setembro de 1992.

José Gomes de Sousa nasceu no dia 30 de Janeiro de 1943, na freguesia de Grimancelos, concelho de Barcelos.

Seus pais, reconhecendo-lhe manifestações de vocação sacerdotal, matricularam-no, em 1955, nos seminários arquidiocesanos de Braga, tendo começado o seu percurso no Seminário de Nossa Senhora da Conceição (o Seminário Menor). Em 15 de agosto de 1967 recebeu o sacramento da Ordem, sendo Ordenante D. Francisco Maria da Silva, Arcebispo de Braga.

No mesmo ano de 1967 foi nomeado pároco de Paçô e Oliveira, nos Arcos de Valdevez.

Em 30 de Junho de 1968 foi nomeado Vigário Cooperador (Coadjutor) de Ponte de Lima, ajudando a missão do então pároco, Pe. Carlos, que mais tarde foi o Bispo D. Carlos Martins Pinheiro. Homem mais novo, com ideias novas, foi convidado a leccionar no Externato Cardeal Saraiva, ao longo de um ano, as disciplinas de Geografia e Educação Moral.

Na qualidade de Vigário Cooperador, aderiu e liderou o Movimento Oásis nascido em 1950, em Roma, que chegou a Portugal em 1958. O Movimento representava um esforço de vida espiritual da juventude orientada para o ideal de santidade. Em Ponte de Lima congregou, nessa altura, aproximadamente três dezenas de jovens que ainda hoje reconhecem o valor do Oásis.

Em 1969, o Padre José Gomes de Sousa – Padre Zé, como carinhosamente costumam chamar-lhe as pessoas que com ele se cruzam, vivem e convivem – foi nomeado pároco de Santa Maria dos Anjos, em Ponte de Lima, tendo dois anos mais tarde (10-11-1971) assumido, também, os destinos espirituais do povo da freguesia de Arca.

Entretanto, na diocese de Viana do Castelo, mercê do seu prestígio e capacidade de trabalho, foi sendo convidado para o desempenho de vários cargos, de que se destaca, por exemplo, o de Juiz Pró-Sinodal do Tribunal Eclesiástico de Viana do Castelo, entre 1982 e 1984. Em 23 de Fevereiro de 1984, foi nomeado Juiz do Tribunal Eclesiástico de Viana do Castelo, cargo que desempenhou até 2003, tendo feito, entretanto, uma interrupção para realizar o Curso de Pós-Graduação em Direito Canónico, na Universidade de Navarra, em Pamplona, na Espanha, que decorreu de Outubro de 1984 até finais de 1985.

Foi, ainda, Membro do Conselho Episcopal nos anos 2006 e 2007 e é Membro do Conselho Presbiteral desde 29 de Maio de 1979 e Membro do Colégio dos Consultores Diocesanos desde 2004.

Em 2002, foi empossado como Membro da Comissão Sinodal, e em 2006 como vogal do Conselho Fiscal da Casa Sacerdotal de Viana do Castelo. Três anos mais tarde, foi eleito 1.º Vogal da Direcção da mesma Casa Sacerdotal. Entretanto, em 2006 foi nomeado Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico, cargo que tem ocupado até ao presente.

O seu trabalho e afazeres continuaram, e o clero do concelho elegeu-o Arcipreste de Ponte de Lima, função que ocupou ao longo de tês anos (2006 a 2008).

Em 2010, o Padre José Gomes de Sousa foi elevado à dignidade de Monsenhor por decisão do Papa Bento XVI, tendo a cerimónia de tomada de posse sido realizada em 23 de Agosto de 2010, na Sé de Viana do Castelo, sendo Bispo da Diocese D. José Pedreira.

A sua humildade e generosidade e a sua conduta e relacionamento afáveis, associados a uma força e um carácter inexcedíveis, continuam a granjear-lhe a estima e o reconhecimento de toda a população, bem como a dos próprios condiscípulos.

Para melhor realizar a sua missão de Pastor, fez o possível por estar mais próximo dos jovens e da comunidade limiana e, assim, de 7 de Outubro de 1970 a 30 de Setembro de 1984, desempenhou funções de professor de Moral e Religião na Escola Preparatória António Feijó, em Ponte de Lima.

Ao longo da sua vida, Monsenhor Dr. José Gomes de Sousa tem realizado um próspero e fecundo trabalho. Como pároco e, por inerência, presidente das várias confrarias da paróquia de Santa Maria dos Anjos, em Ponte de Lima e Arca, ficam à vista de todos os restauros profundos nas Capelas (Oratórios) da Senhora da Guia, S. João e Senhora da Lapa, na Igreja de Arca e, bem assim, os restauros no altar de N. S. de Fátima e da Senhora das Dores, na Igreja Matriz. Fica também uma referência à automatização da torre sineira da Matriz.

Realizou obras de vulto na residência paroquial, restaurando-a e remodelando-a por forma a poder ser utilizada ainda para outros fins, que não apenas o de residência paroquial.

Também o edifício da Confraria do Espírito Santo, na esquina da rua da Abadia com a rua Manuel Morais, foi objecto de intervenção e de um restauro profundo. Esse edifício serviu e serve para as sessões da catequese, mas foi também, espaço para as aulas da Escola de Música da paróquia - inicialmente a funcionar no Colégio D. Maria Pia - também ela criada pela mão do então Pe. José Gomes de Sousa, logo no início da década de 80.

Pensando nas crianças e nas pessoas mais idosas de Ponte de Lima, Mons. José Gomes de Sousa promoveu e criou o Centro Paroquial e Social de Ponte de Lima, um espaço que comporta as valências de Actividades de Tempos Livres e Centro de Dia e que, a funcionar já desde Março de 1998, foi inaugurado a 30 de Abril de 1999.

Em 16 de Março de 1988 assumiu a presidência do Instituto Limiano-Museu dos Terceiros, substituindo o Dr. Alexandre Rocha e continuando a aposta na conservação dos espaços e da arte sacra do Museu. O Orfeão Limiano, uma das valências do Instituto Limiano-Museu dos Terceiros, continuou a merecer-lhe a maior atenção e apoio, primeiro até ao ano 2009 em que, depois de 30 anos de actividade, sofreu uma pausa no seu trabalho. Depois, mercê do empenho do Pe. José Gomes de Sousa, o Orfeão retomou, em 2013, a actividade regular que vem mantendo até ao presente.

Na qualidade de Presidente do Instituto Limiano-Museu dos Terceiros, assinou, em 18 de Fevereiro de 2002, juntamente com a Câmara Municipal de Ponte de Lima, o protocolo que permitiu a cooperação na preservação dos testemunhos históricos e patrimoniais da região assumindo como prioridade a reactivação do já existente Museu dos Terceiros, criado por provisão da Autoridade Eclesiástica em 2 de Janeiro de 1975, depois do aval da Secretaria de Estado da Instrução e Cultura, de 4 de Fevereiro de 1974.

Mas não fica por aqui a sua acção, sendo a Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, também, um dos campos da sua actividade profunda. Sempre preocupado com a missão humanitária e social da Instituição, relembra o Compromisso, apoia as iniciativas, participa nos actos religiosos, visita e acompanha os utentes. Foi Vice-Provedor da Instituição de 1977 a 1982 e desempenha o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral desde 1989 até ao presente, estando eleito para o mesmo cargo até 2019.

Mons. Dr. José Gomes de Sousa continua, com firmeza, a missão que a Igreja lhe confiou: exigente para consigo mesmo, fidalgo no trato, generoso para com as pessoas, educado na postura, exemplo de trabalho, amigo incondicional, homem bondoso, padre disponível, a todo o momento, para todos, muitas vezes com o sacrifício do descanso merecido.

 

Fonte:
LIMIANA – Revista de Informação, Cultura e Turismo n.º 49, de Abril/Maio/Junho de 2017
(Síntese do trabalho publicado neste número, da autoria de João Maria Carvalho)

 

Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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