Anunciador das Feiras Novas

 

Anunciador das Feiras Novas


 Publicação Anual de Informação, Cultura, Turismo e Artes Limianas

 

 

 José Pereira Fernandes

A semente foi lançada em 1947, por iniciativa de Augusto Amorim de Castro e Sousa, quando decidiu editar uma “publicação anual de propaganda” tendo como principal objectivo divulgar as “Feiras Novas” e contribuir para o progresso de Ponte de Lima, publicação a que deu o título de O Anunciador das Feiras Novas.

Com um total de 36 páginas, o primeiro número deste opúsculo abria com um texto do seu editor,  no qual enaltecia a “fidalguia tão tradicional” com que o Povo Limiano recebe os seus visitantes na altura das “Feiras Novas”, “atraídos pelo fulgor surpreendente das pinceladas extraordinárias da nossa beleza paisagista, pelo encantador cenário de maravilhas que são as Festas de Ponte de Lima”; divulgava o programa das “Feiras Novas” de 1947, que decorreram nos dias 19, 20 e 21 de Setembro; informava os leitores do que poderiam ver dentro e fora da vila de Ponte de Lima; e inseria um breve apontamento sobre a Freguesia de S. Julião de Freixo, igualmente da autoria de Augusto de Castro e Sousa, que a considerava “a nossa freguesia mais progressiva”.

Assumindo-se de facto como publicação de propaganda, uma parte significativa do espaço deste Anunciador, num total de 27 páginas, foi destinada aos seus patrocinadores, com anúncios a estabelecimentos comerciais ainda existentes ou bem presentes no nosso imaginário colectivo, sendo curioso verificar que os poucos estabelecimentos então servidos por rede telefónica dispunham de números compostos apenas por um ou dois dígitos, como acontecia com a Casa Sousa, com o telefone n.º 3, a Fábrica de guarda-sóis de José Lopes Martins, com o n.º 12, a Sapataria e Tamancaria Pimenta e a Fábrica de Guarda-sóis a Limarense, ambas com o n.º 21, a Confeitaria Havaneza, com o n.º 32, o Café Central e a Pastelaria Tijuca, com o n.º 48, ou a Casa Vieira de Júlio de Sousa Vieira, com o n.º 55.

De referir ainda a curiosa nota de “reconhecimento” ao Delegado da Comissão de Censura de Viana do Castelo, “pelas facilidades” que dispensara para que O Anunciador das Feiras Novas pudesse ser publicado naquele ano, apesar de Augusto de Castro e Sousa ter sido por diversas vezes alvo da Censura nos seus escritos para jornais de âmbito local e nacional, como o Cardeal Saraiva, A Aurora do Lima, a República e o Diário de Notícias.

No ano de 1948 ainda foi publicado um segundo número do Anunciador, mas a conjuntura desfavorável daquela época impediu Augusto de Castro e Sousa de dar continuidade ao projecto que erguera com “enormes dificuldades e sacrifícios morais”, segundo as suas próprias palavras.

Porém, a semente viria a dar fruto 36 anos mais tarde, graças à louvável iniciativa de Alberto do Vale Loureiro, discípulo de Augusto de Castro e Sousa nas artes gráficas, que, com notável espírito empreendedor e muito arrojo, tomou a iniciativa de reeditar O Anunciador das Feiras Novas, contando apenas com o apoio do comércio e da indústria de Ponte de Lima, de importância vital para a sobrevivência desta publicação.

Nascia assim, em 1984, a segunda série de O Anunciador das Feiras Novas, de paradigma substancialmente diferente, deixando de ter a natureza de “Publicação Anual de Propaganda”, como constava do seu subtítulo, para se assumir como “Publicação Anual de Informação, Cultura, Turismo e Artes Limianas”, graças à inestimável e desinteressada disponibilidade de um variado leque de colaboradores de elevado nível intelectual empenhados na promoção e divulgação da Cultura Limiana.

Editado ininterruptamente desde 1984, O Anunciador das Feiras Novas, actualmente com propriedade, administração e edição da Associação Empresarial de Ponte de Lima, continua a ser publicado sob a coordenação de Alberto do Vale Loureiro, o timoneiro desta publicação de índole essencialmente cultural, com uma notável abrangência da temática limiana.

 

Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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